segunda-feira, 17 de julho de 2017

Advogado negro é barrado em bar de Curitiba por 'parecer um segurança'


Trevisan se retirou do local, sem reclamar, e diz que "a ficha só caiu" minutos depois
Um advogado negro foi barrado na entrada de uma boate em Curitiba, na noite de quinta-feira (13), por causa da roupa que vestia -uma camisa social preta e uma gravata da mesma cor. 

Segundo o funcionário que o abordou, o frequentador "parecia um segurança" e iria ser confundido no interior do local, no James Bar. 

"Eu fiquei tão bobo que não tive reação", contou Juliano Trevisan, 27, à Folha. "Ele me olhou dos pés à cabeça e disse isso." 

Trevisan se retirou do local, sem reclamar, e diz que "a ficha só caiu" minutos depois. "É engraçado, porque no início você se culpa. Pensei: poxa, poderia mesmo ter trocado de roupa. Aí que veio a noção do absurdo." 

Ao chegar em casa, ele postou uma carta ao bar nas redes sociais -que se retratou, pediu desculpas pelo ocorrido e demitiu o funcionário. 

Em nota, o James Bar informou que foi "uma atitude arbitrária" e que isso "não condiz com o que acreditamos". 

Trevisan, natural do interior do Paraná, é advogado e trabalha como diretor de marketing de uma escola. Também tem um canal no YouTube, onde fala sobre preconceito e empoderamento negro. Com tatuagens, barbas e cabelo dreadlock, classifica seu estilo como "excêntrico". 

"Infelizmente, a nossa sociedade é muito visual; está pouco preocupada com o que as pessoas têm a oferecer", afirma. 

Para ele, que diz ter recebido mensagens de dezenas de pessoas que passaram por situações parecidas, "preconceito não é mimimi". 

"Sempre que isso acontece, passa um filme na minha cabeça; e é isso que ninguém entende", comenta, lembrando de outras situações de discriminação. "Tem gente que vira para mim e fala: foi só isso? Mas nunca é só isso."  Bocão News

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